Às vezes só me lembro de Portugal quando vejo miúdas portuguesas giras (como hoje por exemplo...). É nessas alturas em que me apetece voltar imediatamente. Talvez por estado aqui quase quatro anos as minhas percepções andem um pouco trocadas (do tipo as gajas portuguesas é que são bué de giras, as gajas portuguesas é que são bué de engraçadas, as gajas portuguesas é que sabem... idem... idem...).
Mas também me vêm à memória os tempos em que estava em Portugal e muito raramente conhecia alguém de jeito ou quando conhecia e queria conhecer mais e melhor elas não me queriam conhecer... Humpfff...
Mas ao mesmo tempo penso na Val e no mais real do que hipotético facto de que me irei cruzar com pessoas que muito dificilmente serão mais interessantes do que ela.
Resumindo isto tudo: o que eu queria mesmo muito era uma Val portuguesa, isso sim seria a cerejita em cima do bolo.
Começo a temer pela minha readaptação ao burgo... Oh no, já estou infeliz antes de estar infeliz, só de pensar nos meses longos de amargura e de solidão que me esperam... E para piorar tudo nem sinais de possíveis acções de alcofa aleatórias...
Vou deitar-me com a cara de insucesso escolar número 4...
Cansado... Cheio de cenas complicadas por resolver... Cenas de gajo...
Voltei a ver a Val... Não consegui resistir... E foi muito bom, é sempre muito bom estar com a Val. Ela mexe comigo, não consigo ficar indiferente a este remoer cá dentro. Tinha mesmo de a ver.
Qual psicopata de filme americano série Z fui bater à porta da casa da Val às 4 da manhã (nota mental: eu não sou normal...) e prontos...
A menos de 3 semanas de me ir embora e ainda a meter-me em confusões. Eu Não tenho juízo, não tenho mesmo.... Mas há que complicar meus caros, compliquem também, bora lá complicar together, pôr pimenta na coisa.
Os meus irredutíveis gauleses continuam gauleses e irredutíveis... Esta noite voltei a passar pela tua casa pela décima quarta vez desde que acabámos. As coisas custam-me mais assim mas tento por todas as formas salvar a Gália do exército dos outros.
Tenho pena de ver-me neste estado de miséria e comiseração comigo próprio, esperando migalhas romanas e poções mágicas. Esperando que amanhã quando acordar não hajam sinais de Roma nem dos romanos à beira da minha cama.
Gostava de poder tomar agora a poção mágica e sentir o fruir de novas e esquecidas forças com as quais pudesse lutar até ao fim dos meus dias.
Fim dos meus dias versus até ao fim dos meus dias. Hoje pensei que morria. Que ao pegar num copo de água o levava a boca e o deixaria cair numa morte tão rápida e simpática que não veria o estilhaçar de todos aqueles vidros no chão da cozinha. Cairia de imediato, hirto e frio como se já tivesse morrido há mais tempo.
Tenho passado todas as noites pela tua janela. Invento a desculpa de apanhar o 62 para ir para casa. Passo pela tua casa, paro cinco segundos à frente da tua janela, tento ver-te nesses 5 segundos e depois vou apanhar o 62. Não sei porque é que faço isto mas tornou-se uma coisa sintomática...
Depois no caminho para casa sinto-me a pessoa mais infeliz do universo... Já conto os dias para me ir embora e finalmente acabar com esta sensação que me anda a foder todo e eu a ver... Tenho feito esforços inimagináveis para não te telefonar. Ontem numa dessas crises hediondas fui forçado a ver o Tróia para me esquecer um bocado. É impossível cair mais baixo.... Fodasse o Tróia, o Tróia... Tou mesmo deprimido...
De resto tudo normalzinho... Ando com umas ideias mas não as posso executar enquanto não estiver em Portugal, apetece-me pisar a linha e ser mauzinho... Ser mauzinho, isso é que era... Esquecia-me logo destes melodramatismos...
Suspiro... Andei a pensar numa coisa semelhante ao último tango em Paris... Foder e foder-me todinho, nada como ter uma relação problemática e complicadazinha para nos sentirmos vivos... Depois de ter tido uma namorada que já tinha namorado, de ter confundido amizades (mas foi gratificante, fodasse foi bom...), ter tido um caso com uma miúda casada que me apresenta o marido, está na altura de complicar as coisas outra vez... Ambrósio apetecia-me algo novo... Algo bom Ambrósio...
Ps: não gosto da palavra foder... Não gosto mesmo...
A tarde passeia-se lá fora e apesar de trilhentas actividades por realizar aqui no lab não me apetece micropipetar... Se pudesse pegava em mim e ia para casa deitar-me na cama até à festa de anos da Catarina logo à noite... Mas como não posso, vou beber um café duplo a ver se isto passa...
E se o dia da nossa morte não coincidisse com o da nossa morte física? E se déssemos por ele? O que é que fazíamos?
Atendendo, que era o dia da nossa morte, poderíamos fazer o que quiséssemos, tudo mas mesmo tudo, porque afinal de contas iríamos morrer hoje. A morte espreitaríamos palavra após palavra, gesto após gesto esperando o nosso desistir e depois continuaríamos numa espécie de vida vegetativa à espera do nosso último autocarro... Por falar nisso e tentando lembrar-me de todas as pessoas que já morreram e continuam por cá. Lembro-me do meu tio, lembro-me muito do meu tio. Era tão fish quando ele ainda não tinha morrido. Tenho muita pena dele mas não posso fazer nada por ele. Mas este dizer-se adeus prolongado às pessoas que amo mortifica-me... Foda-se, fiquei com os olhos vidrados...
Será que as pessoas que se suicidam passam por isto? Morrem e logo a seguir conhecem a morte por palavras mais curtas.
Nunca tinha pensado nisto... Belisquei-me e ainda estou cá... Ufa... E é muito bom estar vivo... Não devia brincar com estas coisas, mas como toda a gente sabe, eu tenho aquele sentido humor pseudoautista...
Sinto-me vivo e genial... Mas também era fish se desse uma quecazinha esta noite...